segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A pessoalização dos Partidos Políticos

Falar em partidos políticos atualmente soa como um espectro vazio de sentido e conteúdo. Essa tese ganha mais força quando analisada em regiões distantes dos grandes centros de poder. Juara é um bom exemplo para essa reflexão. Nessas pequenas regiões, o que torna visível não é o partido político, mas as pessoas que compõem e dão sustentação a essa facção. Tanto isso é verdade que os partidos políticos em pequenas cidades sequer são lembrados nas disputas políticas. O partido político é quase que confundido com as pessoas que os compõem. O que temos então diante desse cenário é o declínio da partidarização da política e a ascensão da “pessoalização” do partido político. O partido político transforma-se na mais pura tradução das vontades das pessoas muitas vezes disfarçada por um discurso colado nos interesses do povo. As pessoas reescrevem o partido segundo os interesses das pessoas e não dos partidos. Percebam que em épocas de disputas eleitorais o que ganha notoriedade pública são de fato as pessoas em detrimento aos partidos. Contraditório isso, uma vez que, segundo a Constituição Federal, as pessoas sozinhas não possuem capacidade jurídica para disputar qualquer pleito eleitoral. Pior ainda, é que filiar-se a um partido político, pelo menos teoricamente, é comprometer-se a um programa partidário comum a todos. Enfim, essa é uma característica de pequenos centros como Juara. As pessoas ganham muito mais visibilidade do que os partidos políticos. Na verdade, os partidos políticos são percebidos como mero sistema burocrático necessário ao pleito eleitoral. Nesse caso, não é exagerado afirmar que todos os partidos políticos são iguais segundo o fim a que almejam. Afinal, a busca das pessoas pelo poder político “usa” o partido político como estratégia. A meu ver, esse contraditório jogo pelo poder torna os partidos políticos algo meramente descartável.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O que as chuvas em SP e RJ ensinam para Juara

As tragédias climáticas ocasionadas pelas chuvas no Rio e em São Paulo devem nos servir de ensinamentos para possíveis problemas semelhantes que possam ocorrer em Juara. É claro que nossa geografia física nos privilegia em termos dos impactos decorridos de altas densidades de chuvas em terrenos com riscos de desmoronamentos. Aliás, é bom que se diga que Juara já viveu experiências de uma quase tragédia decorridos do excesso de chuvas. Mas e se acaso Juara presenciasse fenômenos climáticos semelhantes ao que estão acontecendo em SP e RJ? Estaríamos preparados para os impactos sociais decorridos desses fenômenos naturais? Minha avaliação é que “não”. A bem pouco tempo atrás presenciamos experiências semelhantes de cheias nos rios, tanto nas áreas rurais como urbanas de Juara. Essas pequenas tragédias naturais em Juara evidenciaram nossa baixa capacidade de lidar com esses fenômenos do ponto vista de uma ação emergencial ou mesmo preventiva. Reparem que nesses momentos ficamos reféns de ações individuais isoladas da sociedade. Não possuímos uma capacidade técnica e pública de fazer frente a essas pequenas catástrofes. Não possuímos sequer uma defesa civil preparada para agir organizadamente nesses momentos. Isso além do fato de não possuirmos uma guarnição do corpo de bombeiros. Na verdade, as tragédias ocorridas em SP e RJ nos revelam a necessidade do poder público local em se organizar preventivamente para fenômenos naturais desse tipo. Até porque, não podemos se valer da improvisação e da boa vontade da sociedade em dar conta daquilo que é competência dos poderes públicos. Por mais que não se compare SP e RJ com Juara, me preocupa se os níveis de precipitação de chuvas noticiadas pela mídia que ocorreram em SP e RJ ocorressem na região de Juara. Creio que teríamos uma possível catástrofe social restrita aos padrões sociais da nossa região. Fica registrado o alerta! Afinal, não podemos mais ficar como meros espectadores de tragédias vistas à distância pela mídia. Principalmente nosso poder público local e estadual. Afinal, mais triste do que ver tragédias como as de SP e RJ, é ver a inércia da do poder público local em antever possíveis cenários como aqueles que estamos assistindo pela TV.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A diferença entre Reforma e Revolução...

Começo de ano na política sempre é marcado pelo já habitual discurso da mudança. É reforma daqui, é revolução dali. Para os leigos, reforma e revolução soam como fenômenos bem parecidos, diferenciando tão somente na sua grafagem. No entanto, é bom que se frise que reforma e revolução partem sim do mesmo princípio, isto é, a "mudança", mas, em seus encaminhamentos, possuem metas totalmente diferenciadas. A reforma, em síntese, é algo que pressopõe mudanças pontuais, mas que conserva sua essência principal, seja ela qual for. Já a revolução, também significa mudanças, no entanto, seu princípio básico é a radicalidade, ou seja, é a mudança na sua essência e totalidade sem conservar nenhum vestígio daquilo que esta sendo mudado. Portanto, na "Reforma" se muda conservando alguma coisa. Na "Revolução" se muda rompendo com tudo que esta sendo mudado. Por isso, é bom que se reflita seriamente sobre os limites daquilo que se diz em relação ao que, como e onde "reformar" ou "revolucionar". Afinal, em política, a retórica do discurso político, pode, muitas vezes, tornar seu conteúdo vazio de significado e insignificante do ponto de vista prático. A meu ver, a política partidária e governamental nesse começo de ano se vale muito dessas estratégias. Seja pela via da "reforma" ou pela via da "revolução" se planta a esperança de mudança pelo caminho da política. Enfim, só estou destacando esse ponto nesse artigo, porque muito se comentou nos discursos de posse de governadores e da presidenta do Brasil, reformar e revolucionar muita coisa. Afinal, em política, mudanças radicais sempre implicam em ferir interesses. Ao leitor desse artigo, caberá refletir sobre os limites e possibilidades desses discursos políticos.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

2011... desafios para as mulheres na política...

Nessa época do ano sempre procuramos renovar nossos planos e metas para o próximo ano que surge. Nesse caso, estamos diante de um 2011 que nos coloca vários desafios. Pontuo um em especial que é o desafio político do ano novo para o sexo feminino. Três casos em especial destaco como de grande significado para essa reflexão. O primeiro, diz respeito a chegada ao poder da primeira presidenta mulher no Brasil. O segundo, semelhante fenômeno, mas de repercussão local, é o desafio da não menos importante primeira presidenta mulher da Câmara dos vereadores de Juara. Terceiro e, por último, o desafio da primeira deputada estadual da nossa região de Juara. Eu diria que na somatória desses três exemplos na política para as mulheres, é o fato de estarmos diante de um cenário com um leve toque de sensibilidade. A meu ver, a sensibilidade feminina colocada a serviço da política, pode sim renovar os encaminhamentos dos interesses públicos no interior da política partidária. Creio que estamos presenciando um novo limiar de um inédito jeito de fazer e lidar com a política. Os exemplos de Dilma Rousseff, Cida Felix e Luciane Bezerra, são emblemáticos ao apontar que as mulheres adentram com vigor na cena política brasileira em 2011. Que elas possam avançar naquilo que alguns homens pouco conseguiram, isto é, o de representar na íntegra os interesses da população que as elegeram. Que a presença das mulheres na política possa em 2011 quebrar o núcleo duro da arrogância machista no tratamento político das questões de interesse social. Mas alerto, esses desafios não serão fáceis. É preciso que esses desafios sejam superados com aquilo que a mulher tem de particular na sua diferença em relação ao homem: o de encantar, seduzir e envolver tudo ao seu redor com uma magia de leveza, sensibilidade e amor ao próximo. Se assim o for, creio que as mulheres na política poderão reinventar uma nova política partidária centrada em valores morais, coletivos e éticos. Sucesso a todas as mulheres na política em 2011.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A prudência do silêncio diante do jogo político...

O que separa o discurso da ação? Tal resposta soa um tanto desafiadora quando pensamos ela como subproduto do jogo das disputas pelo poder político. Afinal, quando a política se envereda para o campo da hegemonia do poder, creio que nem Maquiavél poderia prever o que dela proverá. Já é corriqueira a máxima que diz que em política "os fins justificam os meios". Nesse caso, eis que emerge da luta pelo poder político o conceito de "demagogia". Entendo a demagogia como uma estratégia mesquinha e vulgar para criar cenários fantasiosos de um "bem estar" e de "dias melhores". No jogo político, a retórica demagógica usa da política para a tomada do controle do poder. Nesse caso, tenta-se maquiar o passado com um presente e futuro repleto de possibilidades messiânicas. Pena que aquilo que legitima esse tipo de estratégia esta centrado na crença daqueles que "ainda" acreditam na eficácia de discursos vazios de significado e ricos de contradições. É por isso que diante de um quadro de pauperização ideológica da política, é que se faz necessária a prudência do silêncio. O silêncio muitas vezes revela muito mais que um grito no vazio. O silêncio a meu ver, é uma vigorosa arma de luta contra aqueles que insistem em tornar a política lugar de demagogia. As vezes é estratégico partir para o embate, mas nesse caso, é prudente calar-se para que a realidade contraditória se revele como um exemplo a ser futuramente combatido.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O que revela a parada gay de Juara...

Os costumes, ligado a tradição e a cultura moral/religiosa, são os aspectos desencadeadores daquilo que chamo de "demagogia do preconceito". Digo demagogia porque em tempos modernos, não convém ter preconceitos, daí, essa generalização de que ninguém tem preconceito de nada e no mundo de hoje pode-se tudo. A meu ver, pura demagogia ou retórica de discurso. O que de fato temos são preconceitos irrustidos sobre os diferentes. A parada gay de Juara foi um tipico exemplo de espetáculo da mediocridade. Primeiro, pelo senso de ridiculo que os gays ali presentes sofreram do público nas calçadas. Segundo, pela falta de amadurecimento cultural das pessoas que insistem em tornar os gays alvo de humilhação, aberração e chacota. O espetáculo do ridículo encenado na parada gay, revelou duas coisas importantes: é difícil ser diferente num mundo de iguais; e que consciência se faz com educação, não com espetáculo. Se queremos avançar em nosso amadurecimento intelectual, temos que conquistar nossos espaços de forma estratégica e de acordo com nosso modo de vida. Copiar modelos ou mesmo, ficar preso a idéia tradicionais, ao meu ver, só alimenta aquilo que queremos destruir: o preconceito.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Esfarelando a Rodovia do Vale...

Passei esses dias pela rodovia do Vale que liga Juara a rodovia de acesso a Juina... Pra quem viu essa rodovia sendo construída, enfrentou os obstáculos naturais, antes e durante a obra, chega a dar pena, a situação que se encontra hoje. Não sou técnico, mas como leigo, arrisco a dizer que houve uma falha amadora na compactação do solo, fazendo-o ceder, e com isso, levar o asfalto a deteriorar. Uma pena, para uma construação tão aguardada como essa. A meu ver, a situação triste em que se encontra a rodovia do vale só tende a piorar com o aumento do fluxo de automóveis e caminhões. Ficar apenas lamentando não vai resolver. Apelar para as autoridades políticas pode ser um meio de pressão. Mas creio que diante do disperdício de dinheiro público, diante da importância da obra, diante da qualidade comprometida da obra, só existe um caminho eficaz para resguardar o interesse público dessa obra. E o caminho é o ministério público. A de se respeitar não apenas o dinheiro público investido, mas aqueles(as) que contrinuiram do seu bolso para que essa obra fosse o sonho de um novo tempo para a região. Infelizmente, esse sonho pode virar um pesadelo.